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Currículo: é importante apresentar um resumo das suas qualificações, diz recrutador
São Paulo - Pouco importa se você mira uma vaga de estágio ou um cargo de diretor: em qualquer etapa da sua carreira, um bom currículo será um recurso precioso para atrair oportunidades.
Na hora de elaborar o documento, as mesmas preocupações necessárias a um
profissional com décadas de experiência devem valer para o estudante
universitário em sua primeira aventura no mercado de trabalho.
A única diferença entre as fases se refere à organização das
informações, segundo Ricardo Karpat, diretor da consultoria Gábor RH.
Enquanto os jovens podem descrever sua trajetória quase integralmente -
já que ela ainda é breve -, profissionais mais maduros precisam
priorizar alguns dados. "O experiente não deve listar todos os seus
empregos, só os mais significativos e recentes", explica Karpat.
À exceção desse ponto, as orientações dos recrutadores são praticamente as mesmas em qualquer contexto. Veja a seguir 5 conselhos universais quando o assunto é currículo:
1. Seja sucinto
Para Guilherme Spironelli, gerente de recrutamento da Hays Response, o
currículo perfeito não gasta mais do que uma folha de papel.
Não importa se você tem um ou 30 anos de trajetória: é preciso contar a
sua história da forma mais concisa possível. “O currículo funciona como
um anúncio publicitário”, diz Karpat, da Gábor RH. “Se ele não for curto
e direto, não vai chamar a atenção de quem lê”.
2. Apresente um resumo das suas qualificações
Mesmo que você ainda tenha pouca experiência, é recomendável listar de
três a quatro pontos que resumem as suas principais competências.
Incluir essa seção no currículo ajuda o recrutador a descobrir você
poderia se encaixar na empresa contratante. “Se o candidato lista as
principais atividades que é capaz de entregar, fica mais fácil
vislumbrar os benefícios de escolhê-lo para a vaga”, diz Spironelli.
3. Deixe claro o seu objetivo
Outro cuidado importante é declarar a área em que você pretende
trabalhar. O cargo mirado pode ficar de fora, já é possível negociá-lo
em etapas posteriores da seleção.
“É preciso destacar um único segmento de atuação, isto é, não vale dizer
que você pretende atuar nos setores financeiro, contábil e
administrativo, por exemplo”, diz Karpat. Por outro lado, profissionais
jovens e sem especialidade definida têm licença para lançar um objetivo
um pouco mais generalista.
4. Seja sóbrio
À exceção de profissionais de áreas criativas como publicidade ou
design, a regra geral para CVs é o minimalismo visual. Para não errar, é
melhor apostar em papel branco, formatação simples, poucas cores e
fontes clássicas.
De acordo com Karpat, o mesmo vale para a linguagem. "Por mais jovem que
você seja, o tom de todos os seus textos deve ser o mais formal
possível", explica.
5. Destaque resultados
Mostrar como você contribuiu para as empresas em que trabalhou faz
brilhar os olhos de um recrutador. Tudo, claro, se realmente existem
resultados importantes e quantificáveis a mostrar.
A despeito de sua curta trajetória, os jovens também podem incluir esse
ponto em seus currículos. “Se você é estudante, pode mencionar algum
prêmio que ganhou na faculdade ou os frutos do seu trabalho na empresa
júnior, por exemplo”, diz Karpat.
App do LinkedIn: perfis com foto são 14 vezes mais vistos.
Fundado em dezembro de 2002, o LinkedIn é uma das redes sociais
mais famosas do mundo. Diferente de outras plataformas, no entanto, o
foco aqui é manter relações corporativas e contatos de trabalho.
Com a função de conectar os recrutadores das empresas a funcionários em
potencial, a plataforma atrai todo ano diversos jovens em busca de um novo emprego.
Para se ter uma ideia, hoje o LinkedIn conta com cerca de 400 milhões
de usuários ativos – e muitos deles cometem os mesmos erros na hora de
preencher seus perfis.
Em São Paulo, um workshop recente realizado a partir de parceria entre Linkedin e Na Prática
ensinou como eliminar os erros mais comuns e transformar sua página
para melhor. A seguir, confira as dicas de Fernanda Brunsizian, gerente
de comunicação da rede, para fazer o seu perfil saltar aos olhos dos
recrutadores:
1. Perfis com foto são 14 vezes mais vistos. O retrato
não precisa ser necessariamente formal: leve em conta seu meio de
trabalho (é formal ou informal, por exemplo?) e, principalmente, sua
identidade.
2. Defina bem sua profissão para facilitar buscas. Se
for estudante, a dica é colocar estudante mesmo, visto que é a palavra
que recrutadores buscam quando procuram alguém nessa etapa da vida.
Também é possível colocar um slogan que defina sua personalidade, como
“apaixonado por startups”.
3. Tenha perfis em mais de um idioma. O LinkedIn
oferece a possibilidade de abrigar perfis em línguas diferentes dentro
da mesma URL. Basta clicar na seta ao lado do botão “Ver perfil como” e
selecionar a opção “Criar perfil em outro idioma”. O site espelha as
informações atuais e você só precisa traduzi-las.
4. Personalize sua URL e apareça antes no Google. Ao
customizar o link com seu nome profissional, você ganha uma assinatura
mais concisa e sobe nas pesquisas.Para editar, selecione o ícone de
ajuste ao lado da URL que o LinkedIn disponibiliza, logo abaixo da foto.
Se seu nome for muito comum e você não se incomodar, opte pelo mais
exótico para se destacar entre os homônimos.
5. Fotos de fundo devem ser profissionais. Evite
colocar fotos de viagem ou imagens muito pessoais. Prefira ambientes
neutros e escritórios.
6. Altere entre visualizações públicas e anônimas. No
LinkedIn, é possível optar por olhar perfis sem que se saiba que foi
você. A dica é usar esta função quando o tráfego de visitas de volta não
for proveitoso, como em pesquisas pessoais ou de trabalho. Caso esteja
se preparando para uma entrevista de emprego ou um projeto, use
visualização pública para estudar os perfis dos envolvidos – isso mostra
proatividade.
7. Invista em um bom resumo. Para criá-lo, imagine que um recrutador pediu o seguinte: conte-me quem é você. Simples assim.
8. Use os recursos audiovisuais para se diferenciar. A
ferramenta é especialmente boa para profissões visuais, como arquitetura
ou design. Também é bom atualizar os arquivos de vez em quando, para o
perfil não parecer parado.
9. Não se esqueça de preencher campos outros, como
causas, organizações filantrópicas e projetos de voluntariado. As
empresas também observam esta parte.
10. Quer conhecer alguém ou alguma empresa e tem uma conexão em comum? Peça para essa pessoa fazer a introdução.
11. Teste seus talentos de publicação. O Brasil foi o
segundo mercado a receber a ferramenta de postagens do LinkedIn, em
abril de 2015, e já se tornou líder mundial de uso. A ideia é
transformar seu perfil em um blog. Se bem feitos, seus escritos podem se
tornar conhecidos entre suas conexões, as conexões delas e assim por
diante, transformando-o em um “Influencer”. Lembre-se de ter bom senso:
esta continua sendo uma rede profissional.
12. Interaja com suas conexões. Mandar parabéns por um novo emprego, por exemplo, faz parte da manutenção de um relacionamento.
13. Explore o Slideshare.net/LinkedInBrasil. O site
mantém uma página com diversos recursos disponíveis para download, como
pesquisas de tendências de mercado e guias de uso.
Para todas as etapas
Segundo Fernanda, a presença de jovens brasileiros na rede vem crescendo
– e o número de recrutadores em busca de estagiários e trainees também.
“Existem empresas que só contratam pelo LinkedIn”, diz.
Mas muitos desses perfis são genéricos ou incompletos, e os empregadores
encontram dificuldades na hora da avaliação. “É difícil avaliar um
estudante, então o perfil funciona como uma carta de apresentação”,
resume Fernanda.
Um bom perfil é sinal de interesse, dedicação e preocupação com o
contexto profissional, explica ela, e é possível em qualquer fase. Mesmo
que um estudante tenha pouca ou nenhuma experiência profissional, ela
garante que há um jeito de deixar a página atraente.
Capriche no resumo e, se achar que vale a pena, peça depoimentos sobre
suas conquistas e personalidade para professores e colegas. E vá com
calma nas conexões. “A maior ingenuidade dos jovens é aceitar qualquer
pessoa, porque no LinkedIn o que vale é a qualidade da rede”, conclui
Fernanda. “É através dela que você recebe as informações sobre o
mercado.”
*Este artigo foi originalmente publicado pelo Na Prática, portal da Fundação Estudar.
Empregadores têm investido em treinamentos para melhorar a convivência. Outras empresas investem em ambientes de lazer.
A Sala de Emprego desta segunda-feira (1º) fala sobre o comportamento
dos funcionários nas empresas e como ele influencia o ambiente de
trabalho.
Essa é uma preocupação dos empregadores, que têm investido
cada vez mais em treinamentos para melhorar a convivência entre os
empregados. Muitas empresas se queixam de que os novos talentos chegam
com bom conteúdo aprendido na faculdade, mas não têm noção de como se
relacionar profissionalmente.
Em um treinamento no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), a
professora ensina brincando como se comportar no empego. Em um dos
exercícios, a lição é que se todo mundo fala ao mesmo tempo, ninguém se
entende. Isso costuma acontecer em um ambiente de trabalho quando os
colegas não se respeitam.
“Saber se comunicar, saber trabalhar em grupo pode ser fácil na escola,
que você troca de grupo se não gosta da pessoa. Na empresa não tem
essa, você tem que saber lidar com as diferenças, isso é muito
importante”, afirma Idamar Carpinelli, orientadora educacional.
Em outro exercício, o aluno escreve a principal qualidade dele, depois
amassa e faz uma bola com o papel. Eles formam uma roda e brincam de
atirar o papel um no outro e assim trocam as qualidades sem saber a quem
pertencem. O objetivo é tentar adivinhar o dono da qualidade.
Um dos funcionários, o jovem aprendiz Gerson Paulino, foi o único que
se intitulou bem-humorado: “Problema todo mundo tem, independentemente
de ser no trabalho ou em casa. É tão gratificante você ter um sorriso e
passar isso pras pessoas”.
Outra jovem aprendiz, Paula Larissa de Oliveira, diz que é determinada e
aprendeu que o trabalho não é uma extensão da casa dela: “No trabalho, a
gente tem que engolir, respirar e seguir em frente. Cada um correndo
atrás do seu objetivo, então a gente tem que lidar bem para ter um
convívio, para eu mesma me sentir confortável, para não ficar num
ambiente ruim de serviço”.
Algumas empresas preferem elas mesmas dar cursos para os recém
contratados. Assim, ficam por dentro da política da empresa. Trabalhar é
se relacionar e isso exige um comportamento que não desagrade os
outros. "As pessoas que chegam mal-humoradas, sem boa vontade. Ás vezes,
até a gente entende que tá com problema, mas acaba contaminando,
contagiando o outro", opina Natiele Dias, assistente de marketing.
"Existem alguns tipos de comportamento que um vê o outro fazendo e vai
fazer também. Insistir em usar o celular, ficar com brincadeiras ou
conversas entre os colaboradores", diz Xênia Pinheiro, diretora de
desenvolvimento humano.
Xênia treina os funcionários de uma rede de supermercados. Para a
maioria, este é o primeiro emprego e eles precisam aprender regras
básicas de comportamento: “A gente precisa realmente ter o tom de voz
correto para falar. Na verdade, a gente tem que ter sempre atenção,
olhar no olho do cliente".
Quem sai da linha é chamado para conversar com o chefe e só é punido
com advertência e suspensão se insistir no mau comportamento. "As
funcionárias desta loja também recebem treinamento, mas não só sobre a
boa conduta com os colegas e clientes. Aprendem a mudar comportamento,
emoções, o jeito de pensar e agir. E isso se reflete no desempenho no
trabalho", explica Xênia.
“A partir do momento que mudo a minha forma de pensar, meus
comportamentos inconscientes, eu passo a me comportar de uma maneira
diferenciada em todos os âmbitos que eu estou”, afirma Robério
Cavalcante, head trainer.
"Nós contratávamos profissionais muito bons na área, que já vinham
prontos profissionalmente, mas quando chegava na empresa tinha algum
problema emocional, de controle emocional", explica Márcia Daiane Forte,
coordenadora de vendas.
A gerente Ariadine Lima, por exemplo, aprendeu a dominar a ansiedade de
vender e a deixar as clientes mais tranquilas para escolher o que
querem: “Com o treinamento que eu venho fazendo, fiquei mais tranquila
em relação à tomar decisão, atitude, comportamento".
Como gerente, Ariadine exige isso de toda a equipe e o resultado
aparece na satisfação das clientes. “É um atendimento espontâneo, é uma
sinceridade que eles têm. Eles não ficam forçando você a comprar e no
dia de coleção a gente fica disputando”, conta a cliente Maria Socorro
Barbosa.
Trabalho e diversão
Tem ainda empresas que apostam em espaços comuns para a interação dos
funcionários. Eduardo Mendonça é gerente de produtos e lidera uma equipe
com mais de 40 pessoas. É uma rotina puxada e para não estressar ele
arrumou um tempinho para relaxar. O melhor é que nem precisa sair da
empresa, que tem mesa de sinuca e vídeo game. Se quiser descansar tem
puffs para deitar. “Essa saída te revigora para que você volte mais
focado e mais concentrado”, diz.
Foi exatamente isso que a empresa notou. “A gente percebe que os
números da empresa melhoraram a partir do momento que a gente começou a
aderir esse processo. A produtividade e os números da empresa em 2015
foram melhores que em 2014. O depoimento que nós temos, de todos os
colaboradores que participam, é que quando estão ali, eles esquecem do
problema, conseguem distrair e de fato eles relaxam a mente para depois
voltar para o ambiente de trabalho”, explica a coordenadora de RH,
Janaina Moreira.
Em uma fábrica em Aparecida de Goiânia, na hora do almoço tem sempre
fila no refeitório, mas todo mundo almoça bem ligeiro para dar tempo de
se divertir com a sinuca, pebolim, dominó, videogame e pingue pongue. A
empresa tem 1200 funcionários, vários setores e teve gente que se
conheceu justamente por causa da área de lazer.
É um espaço democrático, onde brinca o supervisor e também a
funcionária dele. "De um jeito ou de outro, você volta mais motivado
porque você brinca, se diverte e isso te ajuda no teu local de trabalho,
você volta mais motivado, mais focado no que você faz", afirma Orneide
Costa dos Santos, supervisor industrial.
Quem está cansado prefere mesmo usar o “durmódromo”. No horário do
almoço, cada um faz o que quiser em outra empresa: tem uma turma que
prefere jogar, aqueles que vão dormir e, claro, como em qualquer outro
lugar, tem sempre o pessoal ligado na internet.
Ser multitarefa, deixar o mais importante para o final do dia, criar muitas prioridades e dormir com o celular ao lado
Se sua meta para este ano é ser mais produtivo,
ou seja trabalhar de forma mais eficiente sem se sobrecarregar muito,
largar alguns hábitos pode te ajudar. Não é somente uma questão de
estabelecer grandes metas, mudar totalmente a forma como você se
organiza.
Pode ser simplesmente uma questão de realizar pequenas
mudanças no seu dia a dia, de abandonar velhos e maus hábitos. O site
Business Insider listou alguns deles. Confira abaixo: 1. Ser multitarefa: Enquanto muitas pessoas acreditam
que são ótimas em fazer duas coisas ao mesmo tempo, pesquisas
científicas descobriram que apenas 2% da população é efetivamente capaz
de ser multitarefa. Para o resto de nós, multitarefa é um mau hábito que
diminui as nossas capacidades de concentração e nos torna menos
produtivos no longo prazo. 2. Checar o email ao longo do dia: acesso constante ao
email pode levar as pessoas a verificarem suas mensagens a todo
momento. Infelizmente, cada vez que você fizer isso, pode perder até 25
minutos do seu trabalho, segundo o Business Insider. Além disso,
verificação constante também pode te deixar mais burro.
O consultor de
estratégia Ron Friedman sugere fechar o Outlook, as abas de email e
desligar o telefone por 30 minutos enquanto está realizando uma tarefa
importante. 3. Licença moral: não importa se é uma nova dieta, uma
nova rotina, um novo horário de trabalho. Uma das maiores dificuldades
de formar um novo hábito é o desejo forte de driblar aquilo de algum
modo.
Exemplo: fazer uma grande refeição após um ano de restrições e
contenções alimentares somente pela ideia de que "eu mereço" — ou seja, a
tal licença moral. Segundo o Business Insider, é essa licença moral que
não permite que muitas pessoas aperfeiçoem os planos que começam.
Em
vez dessa licença, pegue aquilo como um objetivo de sua própria
identididade e o veja como algo normal e não como algo que você precisa
fazer ou trabalhar contra sua própria vontade.
4. Deixar o trabalho mais importante para a última hora do dia. A
maioria das pessoas realmente começa o dia com tarefas simples para
"pegar o ritmo" e deixam o trabalho mais difícil para depois. Essa é uma
má ideia e leva muitas vezes a completarem mal o trabalho ou não
acabá-lo. O Business Insider cita pesquisas que apontam que as pessoas
têm quantidade limitada de força de vontade, que diminui ao longo do
dia. 5. Realizar muitas reuniões: nada destrói mais a
produtividade do que uma reunião desnecessária. E, com a disponibilidade
de muitas ferramentas, como email, mensagens, skype, vídeos, streaming,
é melhor deixar os encontros pessoais para discussões pessoais. Bobby
Harris, fundador da BlueGrace Logistics, empresa de logística, aconselha
que as pessoas não aceitem participar de uma reunião a menos que
recebem especificações claras: quanto tempo irá durar e o que será
exatamente discutido.
E, mesmo após isso, Harris sempre recomenda a
metade do tempo daquele que foi sugerido para aceitar o convite. 6. Ficar sentado durante todo o dia: Nilofer Merchant, consultora de negócios e autora do livro The New How: Creating Business Solutions Through Collaborative Strategy Paperback disse
em palestra do TED que ela ajudou muitas companhias a atingirem o
sucesso após implementar uma nova ideia: walking meetings (algo como
reuniões de pé).
Ela recomendava que os encontros fossem feitos no
caminho de um café fora da empresa ou em um lugar que fosse necessário
andar uma distância maior.
"Você ficaria surpreso ao notar como ar livre
refresca as ideias e como, nesses momentos, as ideias aparecem",
disse. 7. Atrasar o alarme: pode até parecer que ficar
postergando o alarme para acordar nos dá um pouco mais tempo de
descanso, mas não é verdade. O tal "só 10 minutinhos a mais" faz mais
mal do que bem, segundo o Business Insider.
Citando pesquisas, o site
diz que quando você acorda pela primeira vez, o seu sistema endócrino
começa a liberar hormônios que te ajudão a se preparar para o começo do
dia. Ao voltar a dormir, esse processo é interrompido - e, de qualquer
forma, 10 minutos de sono não trazem tantos benefícios quanto
parece. Isso não quer dizer que você deve cortar as horas de sono.
Como
Arianna Huffington discute em sua palestra TED, uma boa noite de sono
tem o poder de aumentar a produtividade, a felicidade, a tomada de
decisão mais intelifente e ajuda a desbloquear ideias maiores. O truque
para dormir o suficiente é planejar com antecedência. 8. Criar prioridades demais: muitas pessoas pensam que
criar vários objetivos e segui-los estritamente é o caminho certo para o
sucesso — já que, se um deles falhar, há ainda vários outros planos.
Infelizmente, isso mais atrapalha, a medida que te deixa pouco
produtivo. O megainvestidor Warren Buffet tem uma anedota para essa
situação.
Ao notar que seu piloto pessoal não estava conseguindo
conquistar os objetivos pessoais, Buffett pediu que ele listasse 25
coisas que gostaria de fazer antes de morrer. Mas, em vez de
aconselhá-lo a estabelecer pequenas tarefas diárias no sentido de
realizar essas 25 coisas, Buffett pediu que ele escolhesse apenas cinco.
As cinco mais importantes — e ignorasse todas as outras. 9. Planejar cada hora do dia: muitas pessoas
ambiciosas ou organizadas tentar maximizar sua produtividade ao planejar
meticulosamente cada hora de seus dias. Infelizmente, há coisas fora do
nosso controle, que não podem ser previstas de antemão.
É a criança
doente ou um compromisso inesperado — suficientes para acabar com o
planejamento do dia.
A dica é, em vez de detalhar cada hora, planeje
quatro ou cinco horas e adapte o restante do dia ao que for ocorrendo. 10. Manter seu telefone ao lado da sua cama: você vai
dormir e não consegue desligar. Deixa não somente o celular, como
tablets e notebooks — tudo perto da sua cama. Não é algo saudável.
Estudos citados pelo Business Insider mostram que deitar e ficar em
contato direto com a luz do celular é algo que prejudica a visão e ainda
diminui a produção de melatonina, hormônio que ajuda a regular o ciclo
do sono.
Pessoas com menos melatonina também ficam mais vulneráveis a
ter depressão.
O
psicólogo Daniel Goleman diz que precisamos administrar nossa atenção
para melhorar nosso desempenho profissional -- e também de empresas
POR MARCELA BOURROUL
Toda vez que vem ao Brasil, Daniel Goleman diz que o país parece estar envolvido em algum tipo de crise.
A cada desembarque, a palavra está na pauta do dia. Brincadeiras à
parte, ele usou essa impressão para chamar atenção do público no HSM Expomanagement nesta segunda-feira (9/11) sobre seu atual campo de estudo: foco. O autor do best-seller Inteligência Emocional afirma que o estresse é o inimigo do foco.
Por estresse, entenda-se tensões no ambiente corporativo e uma
quantidade enorme de informações que nos bombardeiam diariamente. E vale
dizer: estamos perdendo dinheiro por falta de foco.
“Precisamos ser administradores da nossa atenção, não vítimas da nossa inatenção”, diz Goleman.
O autor explica que há dois tipos de distração. Quando você está
tentando trabalhar em um café e há vozes ao redor das quais você precisa
se desligar, eis o tipo fácil de distração. O tipo difícil é a
distração emocional.
Há uma parte do cérebro responsável por identificar
ameaças. Ela nos ajudou a sobreviver e chegar até aqui, mas é um
problema nas organizações. A questão é que essa parte do cérebro
responde tanto a ameaças físicas quanto abstratas.
Se seu colega recebe uma promoção ou se você é um chefe tentando
sobreviver a uma crise, essa parte emocional “sequestra” o cérebro e,
portanto, o foco. Isso acaba com a nossa habilidade de pensar com
clareza, aprender e se adaptar.
Além disso, quando estamos nesse “modo
ameaçado”, a tendência é tomar decisões mais automáticas e agressivas.
Goleman justifica a atitude de Mike Tyson ao arrancar as orelhas durante
a luta com Holyfield como uma situação de "sequestro emocional".
A inteligência emocional, afirma o psicólogo, é o que costuma
diferenciar os líderes das empresas. Além de entender como uma decisão
tomada hoje vai afetar a empresa amanhã, ele precisa gerenciar os
funcionários para colocar uma estratégia em prática. “A maior tarefa do
líder é dirigir a atenção para onde ela precisa ir”, afirma. Para isso, o
líder precisa trabalhar três tipos de foco: em si mesmo, nas pessoas
com quem trabalha e no sistema que determina se a empresa terá sucesso.
Ferramentas
Para os líderes, eis a dica: a neurociência já mostrou que o cérebro é
capaz de sentir a atitude da outra pessoa. Esse canal é extremamente
importante na hora de criar um ambiente de alto desempenho.
O líder é aquela pessoa na qual todo mundo presta atenção. Um estudo da
Universidade de Yale mostrou que se o líder estava de mau humor, as
pessoas entravam na “vibe” e tinha um desempenho pior. Quando ele estava
de bom humor, a influência era positiva. “Essa é a conversa silenciosa,
que faz muita diferença no desempenho. Os líderes precisam prestar
atenção ao seu estado emocional”.
Outra dica: se alguém for conversar com você, esqueça o celular, o
email que está entrando na caixa ou a televisão. Preste atenção no seu
interlocutor e somente nele.
Para treinar a concentração, Goleman sugere o uso da técnica de
mindfulness. Ela consiste em sentar-se em uma posição confortável e
prestar atenção na respiração, enquanto você inspira e expira.
Sempre
que sua mente tenta divagar, você deve trazer a atenção de volta para a
respiração. Quanto mais você treina, mais fácil fica. É como se fosse
uma musculação do foco.
Os alvos que ninguém vê
Ao final da palestra, Goleman falou sobre os objetivos que ninguém é
capaz de enxergar. Ele cita a história de Kobun Chino, o guia espiritual
de Steve Jobs, um excelente arqueiro. Ao se apresentar para um grupo na
Califórnia, ele faz a flecha passar longe do alvo -- ultrapassando a
cerca e despencando no Oceano Pacífico.
O público se espanta, mas ele
grita como se tivesse atingido o alvo. E atingiu, mas não o alvo que
todos estavam olhando.
O psicólogo faz o paralelo dos ensinamentos de Chino com a liderança de
Jobs: ele foi capaz de criar um mercado para produtos que ninguém via,
como o iPad. E isso foi essencial para o futuro da Apple. O mesmo
acontece agora com o Google, que criou a empresa Alphabet e mostra
claramente que o site de buscas é um produto de sucesso, mas que não
será o único motor de crescimento da companhia.
Marcio
Fernandes, CEO da Elektro, lança um livro sobre a filosofia de gestão
baseada em felicidade que implantou na distribuidora de energia -- e que
o transformou em uma espécie de embaixador do tema no mundo corporativo
O desafio de Marcio Fernandes, o CEO da distribuidora de energia Elektro,
não é apenas entregar bons resultados aos acionistas da companhia. É
também colocar em prática uma “filosofia” de gestão com um idealismo
incomum no mundo corporativo. Aos 40 anos, ele dissemina, dentro e fora
da empresa, o conceito de felicidade no trabalho como forma de melhorar a rentabilidade dos negócios.
Há quatro anos, quando assumiu a presidência da Elektro, implementou um
sistema de meritocracia no qual cada funcionário é responsável pelo
próprio treinamento e desempenho e em que o diálogo franco é fortemente
estimulado em todos os níveis hierárquicos.
Neste mês, ele lança o livro
"Felicidade dá Lucro" (Companhia das Letras), no qual descreve
seu estilo e ferramentas de gestão, além de histórias de vida e
reflexões que o levaram a construir o conceito.
Filho de um operário metalúrgico e de uma cabeleireira, Marcio começou a
trabalhar aos 12 anos, como auxiliar de mecânico. Foi empacotador e
vendedor das Lojas Pernambucanas e, com o próprio dinheiro, cursou
Administração de Empresas. Em 2004, ingressou na Elektro, que tem sede
em Campinas, no interior de São Paulo, cidade em que ele nasceu.
Desde então, Fernandes viu a satisfação da equipe crescer de 69% para
99%. Hoje, faz palestras para empresas pelo Brasil para disseminar sua
filosofia (ele evita chamar de “modelo de gestão”). “É um resgate de
valores que adoraria ver se solidificar na sociedade como um todo”,
afirma.
A seguir, ele explica os pilares de sua filosofia e como ela tem impactado os negócios.
O que vem primeiro: a felicidade ou o lucro?
Sempre a felicidade. Tem gente que só tem dinheiro. E tem gente que não
tem dinheiro, mas é feliz. A proposta do meu trabalho é ter felicidade e
lucro. Essa combinação traz equilíbrio para uma pessoa estar bem com
quem é e o que faz.
Então, ela tem uma tranquilidade maior para
conquistar resultados melhores – seja no seu negócio, seja na sua vida
pessoal. Por isso, fazemos uma campanha muito grande para que os
colaboradores consigam encontrar um propósito para seu trabalho. Quando
isso acontece, tentamos convergir o propósito da empresa com o da
pessoa.
Normalmente, a missão, a visão e os valores da companhia estão
escritos na parede, e alguém diz: “Cumpra”. Não há, em geral, intenção
de convergência com os objetivos pessoais de cada um. Por esse caminho,
pode ser que dê certo e pode ser que não. Quando se tem a unidade entre a
missão, a visão e os valores de cada profissional e os da companhia, as
pessoas trabalham de forma mais sólida em direção ao que sonham, se
dedicam com mais profundidade. E a empresa se beneficia, claro, porque o
profissional não estará ali só de corpo presente.
Pode dar um exemplo prático dessa convergência entre os propósitos de alguém e o da empresa?
Há muitos exemplos. Um deles é o de uma pessoa que estudou em uma ótima
faculdade de engenharia, mas tinha o sonho de trabalhar na área de
recursos humanos. Em uma empresa convencional, ela não deveria falar
sobre isso abertamente.
Porque, se o fizesse, seria vista como alguém
insatisfeita com o trabalho e, portanto, como forte candidata a sair da
companhia. Na filosofia de gestão que implantei, ela deve falar sobre
isso. Existe um diálogo franco, aberto, transparente. Todos sabem que a
pessoa tem esse desejo. Incentivamos que ela não só conte, como
documente essa vontade em um plano de desenvolvimento. Assim, ela tem a
possibilidade de se preparar para aquilo. Pode se candidatar para uma
vaga que abrir, com o gestor dela sabendo disso. E a certeza de que não
será prejudicada por essa clareza.
A empresa oferece algum suporte, como treinamento, para as
pessoas se prepararem para mudar de área ou fazer uma transição de
carreira dentro da companhia?
Nós oferecemos a oportunidade de ela trabalhar naquilo que sonha. Mas o
modelo de desenvolvimento, cada um cria o seu. Ele é bancado pela
própria pessoa. A capacitação será um esforço dela. Isso faz com que,
quando chegar onde almeja, ela trabalhe com tanto amor e tanto carinho
que a empresa se beneficie também dos resultados.
Esse modelo faz mais
sentido para nós, já que não precisamos fazer treinamento para todo
mundo para funções que mal sabemos se são necessárias.
Essa mentalidade exige um comportamento empreendedor das
pessoas. Mas nem todo profissional tem esse perfil. Como lidar com os
diferentes tipos de pessoas?
Aqui ninguém precisa ser guiado se não quiser. Há, de fato, aquelas que
querem continuar no modelo tradicional, pessoas que não querem
construir uma carreira astronômica ou que querem ser o mesmo analista
pleno a vida inteira. Nosso único pedido é que todos sejam honestos
conosco.
Se está bom para alguém ficar onde está, pode continuar, sem
problemas. Mas nossa experiência mostra que mais de 90% das pessoas
adoram ser protagonistas da própria vida ou da sociedade. Ao terem a
oportunidade, muitas percebem que isso é legal. E mesmo esses 10% que se
satisfazem com a forma como vivem, sempre têm vontade de algo mais.
Ainda não conheci pessoas que não têm nenhum sonho, quando questionadas
sobre isso em um diálogo franco.
Fala-se muito sobre felicidade no trabalho. A expectativa de
ser feliz se tornou mais uma exigência, até uma pressão, do mundo
corporativo?
É fácil fazer essa interpretação porque quase tudo o que foi feito na
área da administração moderna teve segundas intenções. Por exemplo,
muita gente fala de sustentabilidade como algo legal, mas, em muitos
casos, não pratica o conceito. Fala do tema só com a intenção de gerar
imagem e lucro.
O trabalho que temos feito também tem a intenção de
gerar lucro – mas desde que seja de verdade. Isto é, não podemos ter uma
plataforma que não seja sustentável. Não posso criar um sistema
transitório, que funciona um dia, e no outro não funciona mais. Queremos
criar uma plataforma coerente.
A opção de ser feliz não é da empresa. É
de cada um. Mas o objetivo é que as pessoas estejam inseridas em uma
plataforma coerente, que oferece chances reais para aqueles que se
esforçam de maneira real.
Trabalhamos para criar meios para que as
pessoas sejam felizes. Sabemos que, por meio dessa prosperidade, a
empresa também prospera. Em vez de criar uma máquina e usar para gerar
resultados incríveis, temos que trabalhar no software. Isso significa
que o que os profissionais aceitavam antes, hoje não aceitam mais. É
preciso modernizar a maneira de lidar com as pessoas.
Que mudanças são essas?
Começam pelo básico, que é dar tempo para as pessoas terem vida fora da
empresa. Felicidade não é ser permissivo. Nós não oferecemos
presentinhos, dinheiro fácil, não somos bonzinhos. Somos justos.
As
pessoas têm uma predileção natural por justiça. Quando você trata alguém
com transparência e verdade, a resposta que recebe é compromisso. O que
propomos é uma filosofia bastante vantajosa para todos. Não gosto
quando dizem que a sociedade brasileira tem baixa produtividade. Essa
filosofia de gestão pretende mudar isso. Passamos a vida ouvindo sobre a
revolução industrial. Mas e a revolução das pessoas?
Qual foi o ponto de partida para você desenvolver essas ideias?
As frustrações que tive ao longo da vida. Sempre quis ter um gestor que
conversasse abertamente comigo, que se intereressasse genuinamente por
mim. Em 2006, quando estava em uma viagem de trabalho comecei a pensar
sobre esses conceitos. Quando viajo, tenho uma saudade tão grande da
minha família, que fico mais reflexivo e intelectual, pensando sobre a
vida com uma profundidade que, no dia a dia, não é comum para mim. A
partir dali, comecei a falar sobre o tema com outras pessoas, que foram
me ajudando a criar uma prática.
Estamos tentando fazer todas as
mudanças que sonhávamos. Isso inclui encontrar um gerente e poder
conversar abertamente com ele. Contar com o diretor e com o presidente
da empresa de fato. Estamos tentando mostrar que a diferença entre o
colaboraodr e o CEO da empresa é o tempo que deu a possibilidade de ele
conquistar aquela posição.
Passaram-se nove anos desde que você começou a elaborar essa filosofia. Quanto tempo leva para mudar a mentalidade das pessoas?
Dizem que a cultura de uma empresa demora dez anos para ser mudada. Na
minha opinião, pode até demorar esse período determinado, mas só se for
de algo ruim para algo pior. Para algo melhor, demora o tempo que dura a
dúvida. Isto é, o tempo durante o qual as pessoas pensam: “Onde eu vou
perder?”, “O que ele quer com isso?”.
Em um primeiro momento, a
tendência é desconfiar de que haja um objetivo oculto. Depois que passa
esse momento, as pessoas mergulham de cabeça porque faz sentido.
O que você fez para convencer os acionistas de que uma
filosofia de gestão baseada em equilíbrio e felicidade era algo no qual
se deveriam investir?
Se eu disser para o acionista "vamos transformar essa empresa em um
lugar feliz porque isso é legal", ele não vai se interessar. Mas quando
eu falo que se as pessoas estiverem felizes aqui dentro, serão mais
produtivas e a lucratividade vai aumentar, é outra história. Os
acionistas são o reflexo da sociedade.
Se você aplica seu dinheiro em um
banco, e outro banco oferecer uma rentabilidade melhor, você não vai
querer trocar de banco?
Esse estilo de gestão muda a maneira como a empresa é vista pelos clientes?
O nosso objetivo é que o cliente perceba que a atenção dada a ele ocupa
100% do tempo.
Porque não há mais aqueles momentos chateados, que as
pessoas têm quando não estão felizes com o que fazem.
Você, como alguns outros executivos e empresários, chama as
pessoas que trabalham na empresa de colaboradores (em vez de
funcionários) e trocou o nome de algumas funções. Os comumente chamados
de atendentes de telemarketing são os agentes de relacionamento, por
exemplo. Essa mudança pode ser interpretada como um preconceito com o
significado literal das funções que as pessoas têm? Afinal, o que há de
errado em ser um funcionário ou um atendente de marketing?
A lógica é simples. Quem funciona é máquina. Colaborador pode fazer
algo mais do que funcionar, desde que ele queira. A perda é grande para a
empresa que ainda não acordou para esse modus operandi. Já o
agente de relacionamento também não faz a função exata de um atendente.
Ele se dedica a entender os problemas e a trazer soluções para o cliente
e trabalha exclusivamente para a empresa. Nós não automatizamos a vida
de ninguém. As pessoas precisam ser proativas para ajudar a melhorar o
processo – e não só para criar lucro.
Muitos CEOs relatam a sensação de solidão como um efeito
colateral da posição, já que, no fim das contas, são eles os
responsáveis pelo resultado da companhia. Você sente essa solidão?
Não. Nós ainda vemos no mercado CEOs que têm um elevador só para eles,
um andar exclusivo, e que depois reclamam da solidão. Aquele que reclama
da solidão é quem não se aproxima, que não tem interesse genuíno e está
artificialmente próximo das pessoas. O executivo precisa ter um pouco
de humildade para ceder seu tempo, que é escasso, e seguir o ritmo das
pessoas.
Eu estou longe da solidão. Mas para isso, tenho que ter
disponibilidade para ser parado no corredor pelo estagiário que tem uma
dúvida. É quase como optar por não ser líder em tempo integral. É
aceitar que a liderança é situacional. Quando chego a uma obra, aceito
ser liderado por um eletricista. Sigo cegamente a liderança dele porque é
ele a referência naquele ambiente.
Ele é quem vai garantir minha
segurança. Participo ativamente dos fóruns com toda a equipe, da
diretoria a estagiários e eletricistas. Isso tudo faz com que eu me
sinta próximo das pessoas.
Uma queixa comum de altos executivos e empresários é a
dificuldade de saberem exatamente o que está acontecendo nas camadas
mais baixas, já que as pessoas evitam dar notícias ruins a eles.
Eu converso com as pessoas abertamente, inclusive no campo de trabalho
delas, então sei o que está acontecendo. Acho lamentável um chefe ter
que se disfarçar de funcionário, como fazem em alguns casos, para ter a
experiência do dia a dia e ficar sabendo dos problemas.
Eu adoro ser
participativo. Gosto de estar com as pessoas, de ouvir pontos de vista
independentemente do nível hierárquico de cada um.
Essa proximidade não atrapalha na hora de ser firme e cobrar a equipe?
A minha meta não é ser padrinho de batismo do filho de ninguém, mas
também não é ser o primeiro a ir para a grelha no churrasco da equipe.
Quero ser justo – e não justiceiro. Isso, sim, é crível e inspira
confiança. É o que me interessa.
Como medir os resultados dessa mudança de gestão?
Faço uma correlação direta da filosofia de gestão com a satisfação dos colaboradores na pesquisa interna de clima e no prêmio Great Place to Work
(GPTW). Passamos dez anos fazendo essa pesquisa e tendo o resultado de
69% de satisfação. Sofríamos para conseguir uma quantidade razoável de
respostas.
Quando mudamos a gestão, passamos para mais de 90% de
satisfação em uma paulada só. Ou seja, existia um passivo que estava
guardado em algum lugar e a gente acessou. Hoje, a pesquisa de clima que
fazemos indica 99% de satisfação. Isso mostra que estimular as pessoas a
voltarem a acreditar nelas mesmas vale a pena.
É quase que um resgate
de valores que adoraríamos ver de forma maciça se solidificar na
sociedade. É um círculo virtuoso. Talvez para ter mais lucro, só
precisemos ser um pouquinho mais satisfeitos e felizes.
Conheça o método do ator americano Jerry Seinfeld para a produtividade
Por Bárbara Nór
Já faz alguns anos que este método é conhecido, mas não custa
lembrar: o americano Brad Isaac conheceu o ator e escritor americano
Jerry Seinfeld quando a série Seinfeld ainda era estreante. Aproveitando
a oportunidade, ele perguntou se ele teria algum conselho para
comediantes iniciantes.
Em resposta, Seinfeld disse que a melhor maneira
de evoluir como autor e criar piadas melhores era escrever todos os
dias. Mas se motivar para escrever – ou qualquer outra atividade - todos
os dias pode ser algo bem difícil. Mas é aí que entra o truque de
Seinfeld.
Jerry Seinfeld em 1996, na festa do Emmy
Para
se motivar, seja qual for sua meta, o segredo é se comprometer com o
mínimo a cada dia. Funciona assim: você imprime um calendário do ano
todo em uma página só e pendura na parede.
Em seguida, você separa um
marcador vermelho. A cada dia em que você fizer algo relacionado ao seu
objetivo – no caso de Seinfeld, escrever uma linha ou duas que fossem –
você marca com um xis.
Querer fazer coisa demais a cada dia não ajuda
porque ficaremos paralisados pela pressão, mas não fazer algo todos os
dias torna complicado cumprir alguma meta.
No dia em que não fizer nada,
você deixa em branco, mas o objetivo é claro: fazer uma corrente de
dias marcados em vermelho.
À
medida em que você for fazendo o mínimo possível somente para marcar em
vermelho, umhábito estará sendo criado.
Fazer as coisas aos poucos, mas
de forma consistente, é mais produtivo a longo prazo do que somente ter
alguns dias esparsos de super produtividade e outros tantos dias sem
ter feito nada.
E, caso quebre a corrente de xis vermelhos por muito
tempo, você verá que algo está errado – pode ser seu compromisso com o
objetivo ou até mesmo o fato de você, no fundo, ter mudado de ideia. Aí é
hora de rever as metas e começar de novo.